JUAN DE DIOS DE LA HOZ
Prémio Rafael Manzano 2018

Este ano, o arquiteto Juan de Dios de la Hoz foi distinguido com o prémio Rafael Manzano de Nova Arquitetura Tradicional de 2018 graças ao domínio das formas e técnicas tradicionais e históricas que demonstrou em muitas das suas intervenções no património histórico. É especialmente significativo o caso dos monumentos que, encontrando‑se em estado de ruína, exigiram que coordenasse a realização de importantes obras de reconstrução. Entre tais obras, salientamos as que foram efetuadas em Lorca, para reabilitação dos principais edifícios da cidade degradados ou danificados em virtude do terremoto que afetou essa zona em 2011.

VIDEO APRESENTAÇÃO DE JUAN DE DIOS DE LA HOZ E DA SUA OBRA

Video realizado por Beatriz Pérez-Porro  apresentando a obra de Juan de Dios, graças à qual foi galardoado com o Prémio Rafael Manzano 2018

Biografia

 

Nascido em Madrid em 1963, Juan de Dios de la Hoz licenciou‑se na Escola de Arquitetura de Madrid em 1988 e, em 1996, obteve um mestrado em Restauro e Reabilitação do Património pela Universidade de Valladolid e pela Universidade de Alcalá de Henares. De 2003 a 2013, foi professor na Escola de Arquitetura da Universidade Camilo José Cela, em Madrid, onde ensinou Restauro e Reabilitação. Foi também conferencista em vários congressos, seminários e sessões relacionadas com a recuperação do património, em várias universidades de Espanha e de outros países, bem como docente em cursos sobre materiais de construção e técnicas tradicionais e sua utilização no restauro de monumentos.

Em 1998, abriu o seu gabinete de arquitectura, Lavila Arquitectos, que se dedica ao restauro do património arquitetónico e que tem uma crescente projeção internacional. Entre os seus trabalhos contam‑se a Catedral e o Palácio Episcopal de Alcalá de Henares, o Castelo de Belmonte, a Catedral de Cartagena, o Palácio Episcopal de Múrcia, a igreja e a cripta do panteão ducal do Mosteiro de São Francisco em Guadalajara, o Mosteiro de Yuste e o monumental complexo de edificações do antigo Convento de La Coria, situado em Trujillo. Atualmente dirige as obras que estão em curso na Igreja e Colégio Pontifício de Santiago y Montserrat, em Roma, a restauração da antiga Fábrica de Tecidos de Brihuega e a restauração do Mosteiro de Santa Maria de Bonaval. Desempenha ainda as funções de consultor da equipa de gestão de projetos que é responsável pelos trabalhos na Catedral do Panamá.

A reconstrução do património arquitetónico

Além disso, no âmbito das intervenções em edifícios em ruínas, importa mencionar a reconstrução do Castelo de Brihuega. De entre os vários trabalhos de restauração, um dos mais importantes foi a recuperação das principais salas do palácio. O salão nobre situado na ala noroeste do castelo, do qual só restava parte das paredes, foi recuperado e pode voltar a ser utilizado graças ao projeto que se traduziu na reconstrução das paredes, no restauro da porta original (a partir dos fragmentos e documentos que foram preservados), na reconstituição dos seus arcos‑diafragma de acordo com os vestígios existentes, e na reconstrução total da estrutura lenhosa do telhado, que de novo aí repousa.

Revestem também grande importância os trabalhos que foram realizados em Lorca, após os efeitos devastadores da catástrofe acima referida, nas igrejas de São Patrício, de São José, de São Mateus, de Santiago e de Nossa Senhora do Carmo, e no Convento de São Francisco, que valeram a Juan de Dios de la Hoz o prémio Europa Nostra 2016. Em muitos destes casos, as intervenções anteriores, geralmente realizadas com betão armado, foram as verdadeiras responsáveis pela devastação. Ainda que o seu emprego visasse o reforço dos monumentos, estas estruturas modernas revelaram‑se mais uma vez incompatíveis com a construção histórica, devido à sua elevada rigidez e ao seu desempenho de tipo monolítico. Este tipo de intervenção exige o conhecimento das técnicas originais destinadas à manutenção adequada das estruturas, que Juan de Dios domina. Neste aspeto, os casos mais extremos foram os das igrejas de Santiago e de São José.

Na Igreja de Santiago, os escoramentos de betão armado que foram introduzidos na estrutura que cobria a interseção provocaram o seu colapso total e causaram também a destruição de todas as capelas à sua volta. A intervenção de Juan de Dios assentou no restabelecimento da compatibilidade entre os elementos antigos e os elementos contemporâneos. Para esse efeito, foram construídos quatro cimbres de grandes dimensões, para permitir a colocação dos quatro arcos principais que suportam o peso da cúpula. Estes arcos, que se elevam num vão de dez metros, foram construídos em tijolo, exatamente com as mesmas dimensões e características dos arcos originais. Uma vez erguidos esses arcos, os quatro pendículos foram também construídos em tijolo e, por cima, foi reedificado o tambor da cúpula. Este tambor sustenta duas estruturas, ambas feitas de madeira: uma que pode ser vista do interior do templo e outra que suporta o peso do telhado que a cobre e que pode ser vista do exterior. O seu fabrico em madeira foi fundamental, bem como o facto de serem independentes e assentarem em placas distintas, podendo ser movimentadas de forma autónoma. Era necessário que fossem leves e compatíveis com o material sobre o qual se apoiavam, ao contrário do que tinha acontecido na intervenção precedente. Graças a esta decisão, os problemas que anteriormente se verificaram e dos quais resultou o colapso da antiga cúpula não voltarão a ocorrer no futuro.

Na Igreja de São José, a estrutura que cobre o templo é um tipo de abóbada muito comum na tradição hispânica: a bóveda encamonada. Trata‑se de uma estrutura que responde plenamente à necessidade de cobrir grandes vãos com peças de madeira de dimensões reduzidas que, simultaneamente, suportam o peso das placas de canas (camones) e que, uma vez revestidas a estuque, criam o mesmo efeito espacial de qualquer outra estrutura abobadada. Pelo facto de terem uma estrutura de madeira formada por um grande número de elementos de pequenas dimensões, essas abóbadas constituem uma ótima solução em termos de resistência ao impacto de um terramoto. Porém, repita‑se, o efeito deste terramoto acresceu aos das intervenções deficientes anteriores, abrindo caminho a importantes danos no edifício. No novo projeto de restauro, Juan de Dios manteve elementos que ainda se encontravam num estado aceitável, substituindo por elementos semelhantes (tanto no tocante ao desempenho como à forma) apenas os que efetivamente careciam de substituição.

Em todo o caso, o aspeto mais relevante das obras em Lorca foi verdadeiramente a recuperação do valor simbólico que este património reveste para a cidade, na medida em que a morfologia do centro histórico foi devolvida a uma comunidade que tinha sofrido a perda de algumas das suas principais referências arquitetônicas.  

Imagens

**Pulsa en las fotos para ver toda la galería de cada proyecto

Reconstrução da Igreja de Santiago, em Lorca, Múrciaa,

Antiga Igreja Colegial de São Patrício, Lorca, Murcia

Reconstrução da Igreja de São José, em Lorca, Múrcia

Restauração da Igreja de São Francisco em Guadalajara,

Restauração Igreja da Conceção em Caravaca de la Cruz, Múrcia

Reconstrução do salão nobre do Castelo de Brihuega, Guadalajara

Restauração do Castelo de Belmonte, Cuenca

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